Descubra os desafios jurídicos enfrentados pelo setor eólico devido à falta de critérios claros para as taxas de fiscalização e como superá-los.
O setor de energia eólica no Brasil, essencial para a transição energética e a diversificação da matriz elétrica, enfrenta um grande desafio jurídico: a falta de critérios claros e uniformes para a tributação das taxas de fiscalização municipais. Essa instabilidade tem gerado impactos financeiros significativos, prejudicando a previsibilidade dos investimentos e comprometendo o desenvolvimento sustentável do setor.
O Que tributação no setor eólico e Por Que Ela É Controversa?
A Taxa de Fiscalização, formalmente chamada de “Taxa de Licença para Localização e Funcionamento”, é um tributo municipal com a finalidade de custear atividades de monitoramento e controle exercidas pelo poder público. Em teoria, essa taxa é legítima, desde que respeite os princípios constitucionais de razoabilidade e proporcionalidade.
Fundamentos Jurídicos da taxa de tributação no setor eólico
De acordo com o artigo 145, inciso II, da Constituição Federal, as taxas devem estar vinculadas ao exercício do poder de polícia, como a fiscalização de segurança, saúde, ordem pública e meio ambiente. No entanto, há regras claras que precisam ser cumpridas:
- Proporcionalidade e Base de Cálculo Adequada: A taxa deve refletir o custo real das atividades de fiscalização que justifiquem sua cobrança.
- Atividade Fiscalizadora Realizada: A existência da taxa deve ser comprovada pela execução efetiva das atividades vinculadas ao poder de polícia.
Na prática, muitas prefeituras têm adotado práticas questionáveis ao definir os valores das taxas, resultando em uma tributação que, em muitos casos, não atende aos critérios legais.
Como a Falta de Uniformidade Prejudica o Setor?
A ausência de critérios claros e uniformes na definição das taxas de fiscalização cria um ambiente de insegurança jurídica para os parques eólicos, gerando impactos diretos sobre as empresas e os investidores do setor.
Principais Impactos da Instabilidade Jurídica
- Imprevisibilidade de Custos Operacionais Empresas enfrentam dificuldades para prever o impacto financeiro das taxas ao longo do ciclo de vida de um parque eólico. Municípios utilizam diferentes bases de cálculo, resultando em variações significativas de valores.
- Aumento do Custo de Operação Taxas desproporcionais elevam os custos das operações, prejudicando a competitividade da energia eólica em relação a outras fontes de energia renovável.
- Judicialização Recorrrente A incerteza jurídica força empresas a recorrerem constantemente ao Judiciário para contestar cobranças abusivas, gerando custos adicionais com processos legais.
- Risco à Atratividade do Setor Investidores, especialmente estrangeiros, consideram a instabilidade jurídica um fator de risco. Isso pode resultar em menor investimento em novas instalações e em expansão.
Exemplos de Práticas Questionáveis
A insegurança jurídica é intensificada por práticas adotadas em algumas localidades que desafiam a legitimidade da cobrança das taxas de fiscalização.
Consultores Externos e Arbitragem de Taxas
Há relatos de municípios que contratam consultores externos para criar e implementar taxas de fiscalização, muitas vezes sem base técnica adequada. Esses consultores, segundo especialistas, chegam a redigir leis e autos de infração, uma prática que desvirtua a função pública.
- Problema Ético e Jurídico: A contratação de consultores para elaborar leis e aplicar multas compromete a transparência e a imparcialidade do processo.
- Impacto Financeiro: Taxas criadas arbitrariamente elevam os custos operacionais das empresas, sem respaldo técnico ou jurídico.
Cobranças Desproporcionais e Ausência de Estudos Técnicos
Em muitos casos, os valores das taxas são definidos sem qualquer estudo técnico que comprove sua razoabilidade. Municípios frequentemente não possuem estrutura adequada para realizar as fiscalizações exigidas, mas ainda assim impõem cobranças elevadas.
- Exemplo em Estados Relevantes: Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco são frequentemente citados por empresas devido à inconsistência nas cobranças e às divergências de entendimento nos tribunais locais.

Condicionamento ao Pagamento
Alguns municípios têm condicionado a liberação de licenças ou o funcionamento dos parques eólicos ao pagamento das taxas. Essa prática é amplamente considerada abusiva, pois viola o direito das empresas de contestar cobranças ilegais.
Decisões Judiciais: Divergências e Impactos
O Judiciário tem sido frequentemente acionado para resolver disputas relacionadas às taxas de fiscalização, mas as decisões são muitas vezes divergentes, aumentando a insegurança jurídica.
Decisões Favoráveis às Empresas
Em alguns casos, juízes consideraram as taxas abusivas devido à ausência de proporcionalidade ou base de cálculo adequada. As decisões favoráveis reforçam a necessidade de comprovar o custo real das fiscalizações.
Decisões Favoráveis aos Municípios
Por outro lado, há decisões que legitimam as taxas, desde que vinculadas ao poder de polícia e respaldadas por estudos que justifiquem os valores cobrados. Essa divergência demonstra a falta de consenso e a necessidade de uma posição clara do STF.
A Necessidade de Posição Definitiva do STF
Especialistas defendem que um posicionamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) é essencial para pacificar a questão e trazer previsibilidade ao setor. Atualmente, o tema está fragmentado entre decisões que favorecem contribuintes e outras que protegem os municípios.
Como as Empresas Podem Mitigar os Riscos?
Diante da instabilidade jurídica, as empresas do setor eólico precisam adotar medidas preventivas e reativas para mitigar os riscos associados às taxas de fiscalização.
Estratégias para Reduzir os Riscos Jurídicos
- Auditoria Tributária Preventiva Realizar uma análise detalhada das cobranças e identificar possíveis irregularidades antes de recorrer ao Judiciário.
- Contratar Suporte Jurídico Especializado Advogados especializados podem elaborar estratégias personalizadas para contestar cobranças abusivas e defender os interesses da empresa em processos administrativos e judiciais.
- Exigir Transparência dos Municípios Solicitar estudos técnicos que justifiquem a cobrança das taxas pode fortalecer a posição da empresa em disputas legais.
- Monitorar Decisões Judiciais Acompanhar os julgamentos nos tribunais superiores permite que as empresas ajustem suas estratégias conforme os entendimentos mais recentes.
- Engajar-se em Associações do Setor Organizações como a ABEEólica têm papel ativo na defesa dos interesses do setor, promovendo debates e pressionando por uma regulamentação mais clara.
Conclusão
A insegurança jurídica na tributação de parques eólicos representa um dos maiores desafios para o setor no Brasil. A falta de critérios uniformes para a definição das taxas de fiscalização gera impactos financeiros significativos e compromete a previsibilidade dos investimentos.
Para mitigar esses riscos, as empresas devem adotar uma postura proativa, incluindo auditorias preventivas, engajamento com associações do setor e suporte jurídico especializado. Além disso, é essencial acompanhar as decisões judiciais e pressionar por um posicionamento definitivo do STF para consolidar regras claras e justas.
No CTSADV, nossa equipe de advogados está pronta para oferecer suporte personalizado às empresas do setor eólico, ajudando-as a enfrentar os desafios jurídicos com confiança e eficiência.